Malafaia e o Álcool

Este texto é uma resposta a outro postado no site do pastor Silas Malafaia, o portal Verdade Gospel, a respeito de bebidas alcoólicas. Ele pode ser encontrado neste link: [http://www.verdadegospel.com/evangelicos-podem-ingerir-bebidas-alcoolicas/]. O pastor Silas Malafaia tenta, sem sucesso algum, defender a abstinência dos evangélicos de qualquer tipo de bebida alcoólica. Tentarei neste presente artigo refutá-lo, tarefa que, creio, não será tão árdua.

O artigo começa com uma pergunta, feita por algum internauta, provavelmente.

Pr. Silas, por que os evangélicos, de um modo geral, não ingerem bebidas alcoólicas? Na Bíblia, há alguma proibição ou restrição à ingestão delas?

À pergunta segue-se o começo da resposta do referido pastor, que diz:

Em Levítico 10.9-11, lemos:

E falou o SENHOR a Arão, dizendo: Vinho ou bebida forte tu e teus lhos contigo não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações, para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, e para ensinar aos lhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado pela mão de Moisés.

 

Fomos separados para Deus. Como reis e sacerdotes do Altíssimo, não devemos ingerir bebidas alcoólicas para não dar lugar à nossa carne e ao pecado. Além disso, em Provérbios 20.1, é dito o vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; e todo aquele que por eles é vencido não é sábio. O álcool compromete nossos reflexos e nosso bom senso, e prejudica a nossa saúde.

O pastor Silas Malafaia começa seu argumento tão mal quanto o desenvolve. Aqui, vemos a tentativa de comparar nosso sacerdócio com o sacerdócio de Arão ao estender as proibições deste a aquele outro. Vou mostrar por que tal comparação não só é impossível como seu uso mostra ou total desconhecimento do pastor ou desonestidade intelectual mesmo. Vamos a um texto paralelo com relação ao que era proibido ao sacerdote na dispensação do Antigo Testamento, a saber, Ezequiel 44.15-23:

Mas os sacerdotes levíticos, os filhos de Zadoque, que guardaram a ordenança do meu santuário quando os filhos de Israel se extraviaram de mim, eles se chegarão a mim, para me servirem, e estarão diante de mim, para me oferecerem a gordura e o sangue, diz o Senhor DEUS. Eles entrarão no meu santuário, e se chegarão à minha mesa, para me servirem, e guardarão a minha ordenança; E será que, quando entrarem pelas portas do átrio interior, se vestirão com vestes de linho; e não se porá lã sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, e dentro. Gorros de linho estarão sobre as suas cabeças, e calções de linho sobre os seus lombos; não se cingirão de modo que lhes venha suor. E, saindo eles ao átrio exterior, ao átrio de fora, ao povo, despirão as suas vestiduras com que ministraram, e as porão nas santas câmaras, e se vestirão de outras vestes, para que não santifiquem o povo estando com as suas vestiduras. E não raparão a sua cabeça, nem deixarão crescer o cabelo; antes, como convém, tosquiarão as suas cabeças. E nenhum sacerdote beberá vinho quando entrar no átrio interior. E eles não se casarão nem com viúva nem com repudiada, mas tomarão virgens da linhagem da casa de Israel, ou viúva que for viúva de sacerdote. E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro.

Vemos neste texto algumas probições ao sacerdote quando este entrasse a ministrar no átrio do templo de Jerusalém. São elas:

a) Vestir-se com linho somente, e não com lã;
b) Não usar nada de modo que lhes sobrevenha suor;
c) Não ser careca ou deixar o cabelo grande. Antes, devia estar aparado;
d) Não poderiam beber álcool;
e) Não poderiam ser casados com viúvas.

Que o pastor Malafaia também aplique todas estas obrigações levíticas a nós crentes da Nova Aliança. Sabemos, porém, que ele não fará isso, pois seria loucura aplicar algo que era temporário e sombra do que estava por vir aos crentes da nossa dispensação.

Silas Malafaia parecer ser seletivo na sua análise da Bíblia, tudo para sustentar o preconceito que a Igreja brasileira tem para com as bebidas alcoólicas, algo que nunca foi problemas para os crentes de antes do século XIX. Durante 1900 anos a Igreja usou do álcool sem nenhum problema. Hoje porém, desconsiderando isso, nós, evangélicos, achamos que somos mais sábios do que nossos pais na fé e até mesmo ousamos proibir aquilo que Deus nos deu como benção.

Malafaia ainda usa Provérbios 20:1 para defender sua posição. Pois bem, diz o texto que não é sábio aquele que é vencido pelo vinho e pela bebida forte. Pois bem, se isso fosse condição sine qua non para passarmos a defender a proibição, então vamos proibir o uso da Internet, o assistir televisão, o ingerir remédios, o uso do dinheiro, o entretenimento em geral, o sexo, enfim, tudo que, se usado com moderação, traz bençãos e prazeres lícitos mas que, por algum motivo, aprisiona algumas pessoas. Sabemos que na nossa sociedade existem viciados crônicos em computador, em televisão, em drogas medicinais, avarentos e sedentos por dinheiro e poder, viciados em entretenimento e diversão, sexólatras, enfim, tudo que é tipo de viciado. Isso deve levar a pessoa racional e sensata a fazer uma pergunta: será que o problema é então o objeto de vício? E a resposta é não. Tudo que Deus criou é bom, e é loucura chamarmos de mal aquilo que o Senhor abençoou. Culpar o objeto de vício pelo vício é tirar a responsabilidade e culpa do pecador. Todo viciado é viciado pois não exerceu domínio próprio. Ele é viciado por ser pecador e não por ser uma vítima. Devo ainda lembrar que Provérbios 23:20-21 diz “Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão acabarão na pobreza; e a sonolência os faz vestir-se de trapos.” Note que aqui são especificadas as consequências que terá aquele que se deixar dominar pelo vinho e pela bebida forte. Mas não apenas por isso. Agora o sábio acrescenta a comida, estendendo a condenação aos comilões. Pastor Malafaia, por favor, seja honesto e diga que não é sábio aos crentes comer carne também.

Mafalaia continua:

Essa droga psicotrópica, que atua no sistema nervoso central, pode causar dependência e mudança de comportamento. Além da euforia e desinibição, ela provoca falta de coordenação motora, sono e descontrole. Após alguns anos, os efeitos agudos do álcool são sentidos no fígado, no coração, nos vasos sanguíneos e no estômago.

Pastor, o café também causa dependência, e atua como energético, causando euforia. Acho que eu também devo me arrepender de usar de suas capacidades para agirem sobre meu corpo e me deixarem mais ativos e com menos sono quando preciso estudar/trabalhar.

Somos templo do Espírito Santo (1 Coríntios 3.16,17). Devemos, portanto, cuidar dele. Além de exercício físico e repouso adequado, precisamos adotar uma alimentação mais saudável e abster-nos de bebidas alcoólicas, fumo e do uso irresponsável e sem prescrição médica de medicamentos.

O fato de sermos templo do Espírito não é motivo para nos abstermos de todo e qualquer hábito que não seja 100% saudável ou que possa, dependendo do uso, causar algum mal. Se fosse assim deveríamos ser vegetarianos. Aliás, interessante o pastor não estender a proibição a algo que faz muito mais mal do que o suposto mau causado pelo álcool, a saber, o refrigerante. Mais uma vez, ou é ignorância, ou desonestidade intelectual. Deixemos Deus julgar.

Mesmo um copo de cerveja antes de dirigir pode ser fatal. Você sabia que um copo de cerveja demora cerca de seis horas para ser eliminado pelo organismo? Uma dose de uísque, que é bem mais forte do que a cerveja, demora mais tempo ainda. Por isso, a nova lei de trânsito não admite qualquer teor alcoólico ao motorista, uma vez que, ao diminuir seus reflexos, a probabilidade de acidentes aumenta muito.

 

O uso do álcool a longo prazo também pode produzir dependência química e cirrose hepática, bem como causar problemas nos relacionamentos interpessoais, atrapalhando o convívio na família e no trabalho.

Tudo isso refere-se aos abusos no uso do álcool.

Em Romanos 6.16, Paulo exortou: Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?
Não devemos ser escravos de nada nem de ninguém, quanto mais de bebidas alcoólicas, que nada de bom acrescentam à nossa vida!

Sim, não devermos ser viciados nelas. Nem em computador, nem em guloseimas, nem em sexo, nem em diversão, e nem em refrigerante. Ah, e a Coca-cola também não acrescenta nada de bom na minha vida. O álcool dá mais prazer e alegria que a Coca-cola.

Há aqueles que contra-argumentam: “Ué, mas Jesus não bebeu vinho? Por que os cristãos também não podem?” Jesus e os judeus, de um modo geral, bebiam um tipo de vinho que era resultante da fermentação natural do sumo da uva. Além disso, a questão não é poder ou não poder beber; é não dever. Como Paulo disse em 1 Coríntios 6.12: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.

Aqui Malafaia chega ao cúmulo da confusão mental ao confundir “dever” com “probição”. Evangélicos pentecostais no Brasil NÃO bebem vinho ou cerveja por acharem pecado. Prova disso: diga que tomou um copo de vinho na frente de um deles e verá o que estou dizendo. Tome um copo e será execrado imediatamente. Além disso, o argumento do tipo de vinho de Jesus ser diferente do nosso é falso. Pessoas ficavam bêbadas com ele. Qualquer que fosse a diferença, se ela existe, era indiferente para o questionamento de se pode beber álcool ou não.

1 Coríntios 6:11 fala de imoralidades. Seu argumento não faz sentido. Se Jesus e os judeus, e por que não dizer os apóstolos, a igreja primitiva, a igreja dos primeiros séculos, dos séculos depois dos primeiros, a igreja medieval, a reformada, a igreja dos puritanos, enfim, toda a Cristandade até o século XIX usaram e se alegraram com o vinho, por que nós não podemos?

Para evitar problemas e mau testemunho, há muitas coisas com aparência de mal de que o cristão deve abster-se. Jesus disse a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! (Lucas 17.1). Não podemos escandalizar ninguém, tampouco ser pedra de tropeço à fé de ninguém. Foi isso o que Paulo afirmou em Romanos 14.13 — Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça — e em 1 coríntios 8.13 — Pelo que, se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize.

Aqui, antes de terminar, mais um argumento sem fundamento racional. O álcool não tem aparência do mal. A embriaguez também não. A embriaguez é má. Por isso devemos evitá-la. O uso do álcool, em si mesmo, não. E sim, vou evitar o consumo se isso for fazer tropeçar um irmão fraco, mas isso não me impede de ensiná-lo para que ele se torne forte, ou de consumir onde ou quando não causará escândalo. Se isso é motivo para condenar a prática do consumo de álcool, por favor, Malafaia, pare de comer carne.

São pelas razões acima expostas que nós, evangélicos, não ingerimos bebidas alcoólicas e condenamos essa prática, que pode levar ao vício do alcoolismo, trazer danos à saúde e aos relacionamentos, acarretando a destruição de vidas.

O correto deveria ser dizer “nós, a maioria dos evangélicos do Brasil”, pois do contrário Malafaia fala em nome de uma fé de 2000 anos que ele parece desconhecer completamente. Além disso, se vício ou danos à saúde e aos relacionamentos fosse motivo de proibição de uma prática, então que o pastor prescreva aos membros de sua congregação que não façam sexo, pois a imoralidade sexual, em nossa era, causa muito mais males que o uso de álcool.

A bebida alcoólica é um bem que Deus nos deu. Isso fica claro pelo testemunho das Escrituras e da Igreja na história. Devemos lembrar que o vinho antigo era alcoólico sim, e nem por isso Jesus e os apóstolos se refrearam em bebê-lo, tampouco recomendaram a abstinência. Os efeitos benéficos do álcool são: causar alegria ao coração e relaxar. Bençãos reconhecidas pela Escritura e que de modo algum são pecaminosas. A embriaguez, sim, é um pecado horrendo e deve ser combatido. Lembrem-se que o abuso não impede o uso. Veja:

Mas, se o lugar de adoração ficar muito longe, e for impossível levar até lá a décima parte das colheitas com que Deus os abençoou, então façam isto: vendam aquela parte das colheitas, levem o dinheiro até o lugar de adoração que o SENHOR tiver escolhido e ali comprem tudo o que quiserem comer: carne de vaca ou de carneiro, vinho, cerveja ou qualquer outra coisa que desejarem. E ali, na presença do SENHOR, nosso Deus, vocês e as suas famílias comam essas coisas e se divirtam à vontade. (Deuteronômio 14:24-26 – NTLH)

É o Senhor que faz crescer o pasto para o gado, e as plantas que o homem cultiva, para da terra tirar o alimento: o vinho, que alegra o coração do homem; o azeite, que lhe faz brilhar o rosto, e o pão que sustenta o seu vigor. (Salmo 104:14-15 – NVI)

Está na hora de a Igreja brasileira deixar seus preconceitos infantis e crescer, entendendo a natureza verdadeira da santidade e da vida cristã, que não é definida pelos pressupostos basilares que vemos no Brasil: “crente não bebe não fuma”. Isto deveria nos fazer ruborizar de vergonha. É uma falsa santidade. É farisaísmo, e nada mais que isso. Lembrem-se de que, na Ceia de Corinto, que era feita com vinho (pasmem-se), os crentes estavam, em alguma ocasiões, se embriagando. Paulo, ao corrigir, manda que tomem vergonha na cara e exerçam domínio próprio, e não que mude-se o componente da Ceia. Como conclusão, temos que o vinho é bom, a embriagueza, má. O vinho é uma benção, o mau uso dele, uma maldição.

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Artigo: O que eu penso da revolta das massas no Brasil

Uma síntese do meu pensamento a respeito das manifestações e crescente revolta popular no Brasil.

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Uma Resposta ao Papa Francisco


Disse o Papa Francisco: “Todos os que fazem o bem são redimidos, até os ateus”. E ainda “O Senhor nos criou a sua imagem e semelhança, e todos somos imagem do Senhor, e ele faz o bem e nos deu a todos esse mandamento em nossos corações: façam o bem e não o mal. Todos”. “Mas, padre, isso não é católico! Ele não pode fazer o bem.” Sim, ele pode. O Senhor redimiu a nós todos, a todos, pelo sangue de Cristo: todos nós, não apenas católicos. Todos! “Padre… os ateus também? Mesmo os ateus?” Todos! Devemos encontrar-nos fazendo o bem uns aos outros. “Mas eu sou um ateu, padre. Eu não acredito…” “Faça o bem: nos encontraremos lá.”

 Lindas declarações, não? Enchem de esperança a alma aflita. A humanidade desunida e perdida é confortada com esta declaração: Cristo morreu por todos. Faça o bem, e nos encontraremos lá. Está tudo bem, não é mesmo? Sim, mas seria uma pena se alguém acordasse o papa (e a maioria das pessoas de hoje) deste sonho, desta ilusão. Sim. O que disse o Primaz de Roma é mentira. É ilusão. Não digo “é mentira” como se ele o tivesse dito de má fé. Não creio que o fez. Entretanto, o fato de alguém fazer algo em boa fé não torna esta atitude correta. Assim, o fato de alguém pregar algo em boa fé não torna o conteúdo da pregação verdadeiro. “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”, nos afirmam as sagradas Escrituras.

 Quero refutar o que disse o jesuíta Francisco, Papa de Roma, começando a citar a quem eles chamam de primeiro Papa, isto é, São Pedro. Certa vez, após um de seus sermões, perguntaram a Pedro o que fariam eles (para serem salvos) ao que Pedro respondeu “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). E ainda, no capítulo seguinte, afirma “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19); o motivo pelo qual exige-se arrependimento e conversão (mediante a fé) para a salvação, o mesmo apóstolo responde “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12). Certamente, Pedro estava fazendo alusão às palavras de Cristo, quando, sem dúvidas, afirmou “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).

 No começo de seu ministério, Jesus enfaticamente afirmou qual é a situação de todos os que não creem nEle conforme Ele é revelado pelas Escrituras “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18). E ainda, com veemência assevera “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36).

 Podemos ainda citar Paulo, o apóstolo. Em sua maravilhosa carta aos cristãos de Roma, Paulo disseca em detalhes as verdades fundamentais sobre a salvação, a fé e a depravação humana. Francisco afirmou que fazer o bem basta para sermos redimidos. Paulo, apóstolo inspirado, por outro lado, afirma sobre a raça humana:

 Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. (Romanos 3:9-18)

 Paulo aí ataca o orgulho do povo judeu am achar-se mais santo do que os demais por possuir a Lei e os Profetas. Derrubando seu orgulho, Paulo afirma categoricamente que TODOS os seres humanos estão mortos espiritualmente. Dentre seus pecados e depravações, Paulo diz que não há UM sequer que busque a Deus, UM sequer que seja justo (bom, correto diante de Deus), UM sequer que seja útil, UM sequer que fale somente a verdade e a justiça e sequer UM que conheça o caminho da paz. O Papa afirma que devemos nos encontrar no céu se fizermos o bem, e só. Outra vez ele traz à tona toda a divergência central entre o Romanismo e o Protestantismo. Vendo a mentira pregada por Roma da salvação por obras os reformadores bradaram, lançando contra estas densas trevas a luz das Escrituras. O apóstolo Paulo explicou que ninguém é salvo a não ser que se arrependa de seus pecados, creia em Jesus Cristo como o que fez sacrifício expiatório pelos seus pecados e converta-se de seus maus caminhos. Ele nos disse:

 Porque pela graça sois salvos, por meio da fée isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelasPortanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundoMas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes pertoPorque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio.

(Efésios 2:8-14)

Neste texto São Paulo nos ensina algumas verdades interessantes. Considere-as comigo. Paulo afirma que nossa salvação é um ato de graça provindo de Deus. Isto coaduna com sua epístola aos Romanos quando ele afirma que todos nós estávamos mortos. Deus nos vivificou, gratuitamente, pois, estando mortos, éramos filhos da ira, condenáveis e destinados ao fogo eterno. Paulo diz também que o que une o homem a Deus por meio de Cristo é a fé. Fé em Cristo e em sua obra sacrificial (pois ele suportou a Ira de Deus por nós). Paulo afirma que o verdadeiro crente tem o dever de praticar boas obras, entretanto, que as mesmas não o salvam, apenas demonstram que ele é salvo. Fazer o bem é uma consequência de ser salvo, não a causa. Paulo ainda diz que os cristãos, antes de crerem, estavam SEM Cristo, por consequência, sem esperança e sem Deus. Francisco diz que mesmo os ateus, se fizerem o bem, tem esperança. Francisco está negando Paulo. Paulo, por último, afirma que os que eram antes pecadores e condenados, achegaram-se a Deus pela fé e através do sangue de Cristo, que quer dizer que Ele fez expiação pelos nossos pecados. Somente por isso podemos ser perdoados, pois Deus PUNIU o nosso pecado na Cruz, em Jesus Cristo. E todo aquele que crê recebe a justificação, isto é, é declarado inocente de seus pecados e passa a viver uma nova vida em Cristo. Francisco nega isso e ousa dizer que as obras de bem que praticamos tem poder de fazer Deus esquecer-se de nossos pecados. Ele diz isso pois crê que Jesus pagou na cruz pelos pecados de todos os homens e, não importa o que eles creiam ou façam diariamente, desde que façam o bem, eles terão acesso a este perdão. Francisco nega categoricamente Jesus, Pedro e Paulo. Francisco nega o Evangelho, que “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Romanos 1:16).

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E os que nunca ouviram?

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Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? Romanos 10:14

Um dos problemas lógicos que aflige muitos crentes com uma cosmovisão frágil a respeito da doutrina da salvação (falo com amor, pois já fui um deles) é a eterna questão: se Deus possibilita salvação a todos, como, então, será a situação dos que nunca tiveram a oportunidade de ouvir sobre Jesus e sua obra no dia do Juízo? Existem três posições diante desta questão. 1) manter a dúvida. 2) aceitar que Deus os julgará segundo a “luz” que receberam. 3) Aceitar que Deus as encerrou eternamente em condenação. Analiseremos cada uma destas respostas bem como a própria validade da questão.

Iniciei dizendo que esta questão surge de uma cosmovisão frágil das Escrituras; pois é exatamente isto que se sucede. Todos os que tem esta dúvida não tem uma compreensão sólida do ensino das Escrituras a respeito da Salvação e, portanto, não conseguem respondê-la com objetividade. Uma questão que é difícil na cosmovisão arminiana (a que crê que Deus deu possibilidade de salvação a todos, cabendo ao homem livremente aceitá-la ou rejeitá-la exercendo seu livre-arbítrio) é facilmente solucionável na cosmovisão reformada ou calvinista.

Quero demonstrar, de início, que biblicamente esta questão começa de pressuposições erradas, portanto, não tem qualquer validade racional. O motivo desta minha asserção é simples: o questionamento inegavelmente surge da pressuposição de que Deus quer salvar todos os homens e ofereceupossibilidade de salvação a todos. Se esta premissa for falsa, não haverá sequer espaço para a pergunta “e os que não ouviram?”.

São Paulo afirmou “Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.” (Romanos 9:17-18). Paulo está, neste texto, defendendo a doutrina da Eleição Incondicional, pela qual afirma-se que Deus determinou previamente os que seriam salvos e os que seriam condenados. Desta forma, a humanidade estaria separada em duas classes de pessoas, aquelas destinadas ao céu, e aquelas destinadas ao inferno. E Deus, segundo Paulo, tem total direito de fazê-lo, sem que nós ousemos reclamar, pois ele é justo e nós infratores e merecedores de condenação. É por isso que disse São Lucas que “creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (Atos 13:48). E também o próprio Paulo aos efésios, quando diz “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.” (Efésios 1:3-5).

Fica evidente, portanto, que Deus tem pleno direito de eleger pessoas para condenação e pessoas para salvação. Isto não fere seu caráter, ao contrário, o confirma, pois ele é Justo e Santo. Dado que a premissa para a polêmica questão foi destruida, vemos que ela não tem qualquer base racional. Entretanto, vamos supor por um momento que a premissa é verdadeira. Analisemos, então, as três respostas que se podem dar.

1. Manter a dúvida. Atitude desaconselhável. “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento.” (Provérbios 3:13).

2. Deus os julgará segundo a luz que receberam. Esta resposta invariavelmente leva você a cometer uma heresia. O Apóstolo Pedro nos afirmou que “em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12). Paulo, em Romanos 10:14 (o texto do começo do artigo) coaduna com a doutrina da exclusividade de Cristo, pois supõe que os pagãos que não ouviram ainda não creram. E sequer poderão crer se não ouvirem. Ainda em Romanos 3, Paulo afirma a depravação de todos os homens, e Jesus em João 3 afirma que quem não crê no Filho já está condenado e que sobre tal homem permanece a ira de Deus. Fica difícil, diante de tamanha evidência bíblica, suportar uma resposta que afirme que alguém pode ser salvo sem ouvir de Cristo. Não obstante, os que afirmam isso baseam seu ensino em Romanos 2:10-16, onde se lê:

Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.” Romanos 2:10-16 

Os que gostam de citar este texto frequentemente frisam os seguintes trechos: “Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” e “não tendo eles lei, para si mesmos são lei”. Pois bem. A afirmação é a seguinte: Deus colocou um pouco de sua Lei no coração do índio americano que nunca ouviu falar de Jesus de modo que este índio será julgado por esta lei, e pode ser salvo se a cumprir. Agora, o que tais pessoas não percebem, ou desonestamente não gostam de frisar, é a parte do texto onde Paulo afirma “Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão”. Ora, o propósito de Paulo neste texto jamais foi provar que os gentios podem ser salvos sem Cristo, apenas cumprindo a lei escrita em seus corações, outrossim ele contradiria a si mesmo e ao Evangelho. O propósito dele é afirmar que exatamente porque Deus colocou esta lei em seus corações, todos estes gentios serão condenados, pois tornam-se indesculpáveis. A tolice do argumento fica ainda mais evidente quando se diz que, se dizemos que um gentio pode ser salvo cumprindo a lei de seu coração, então devemos concluir que um judeu pode ser salvo cumprindo a Lei mosaica. Evidente é que, tanto para um, como para outro, cumprir esta Lei é impossível e, portanto, todos estão debaixo de condenação. O argumento que Paulo inicia ao afirmar que “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei” é exatamente para provar que eles têm a lei implantada em seus corações, não havendo injustiça nenhuma em Deus condená-los.

3. Aceitar que Deus os encerrou eternamente em condenação. Esta é, para surpresa de muitos, a posição que devemos sustentar se queremos seguir o que nos ensina a Palavra de Deus. Lembrando sempre em confiar em Sua soberana vontade. Deus é justo, nós não. Portanto, Ele define o que é justiça, não nós.

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Zelo Espiritual e Verdadeira Piedade

Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.
Romanos 10:1-3
 
Neste texto o Apóstolo Paulo declara seu desejo de que seus irmãos judeus chegassem ao conhecimento da salvação, que é Cristo. Embora estivessem sem Cristo, pois estavam sem salvação, o apóstolo nos afirma que os israelitas tinham zelo por Deus. Isto quer dizer que tais homens e mulheres eram extremamente cuidadosos em cumprir seus ritos e, em muitos casos, devotados à sua religião. Evidentemente, por cumprir tais obrigações, sentiam-se devotados ao próprio Deus e sentiam-se confortáveis, pois pensavam agradá-lo. Todavia, afirma Paulo, o zelo dos israelitas não provinha do conhecimento, ou do entendimento. Literalmente, não era “de acordo com o conhecimento” (segundo as traduções King James e NVI e o texto original).
O peso do ensinamento que este verso apenas nos fornece deve ser causa de reflexão para todo cristão genuíno. O apóstolo está dizendo, entre outras palavras, que existe uma maneira correta de adorar a Deus, uma piedade bem definida. E, pelo uso da palavra conhecimento (ou entendimento), do grego epignosis, percebemos que esta verdade pode e deve ser conhecida. O próprio Deus estabeleceu em Seu livro a maneira pela qual todo cristão deve levar sua vida, a doutrina correta, bem como a maneira como a Igreja deve conduzir sua adoração pública e todos os demais procedimentos em que se envolve. Este conhecimento revelado nas Escrituras é a gnosis divina e ele somente é que produz verdadeira religião, ou verdadeira piedade.
Paulo continua seu argumento afirmando que eles, embora zelosos, não conheciam a justiça de Deus, termo que implica “todas as coisas que agradam ao Senhor”. Os judeus eram ignorantes daquilo que realmente era a vontade ou o ensino de Cristo. Deste modo, implica o apóstolo, sua tentativa de agradá-lo era vã e inútil. O versículo pode ser lido como “porquanto, sendo ignorantes quanto a forma correta de proceder com relação às coisas de Deus, e procurando estabelecer sua própria maneira de agir, não se submeteram àquela que Deus havia revelado”.
Este texto tem ampla aplicabilidade em nossos dias. Vivemos em uma época onde os crentes pensam poder agir como lhe convém no culto. Transformaram o culto num show de entretenimento. Fazem nele o que lhes vier a mente, sem qualquer preocupação: “Deus aceita isto em seu culto”? O conteúdo dos sermões é o que melhor agrada ao público. Poucos pregadores são humildes o suficiente para dizerem a si mesmos “é isso mesmo que Deus quer ensinar?” ou “tem sido este o ensino da Igreja através dos séculos?”. Quando uma forma nova de fazer igreja surge, muitos sedentos por crescimento correm para ela, tendo-a como a nova visão do momento, a vontade de Deus para sua Igreja. Mas sequer têm o trabalho de humildemente checar a gnosis divina, as Santas Escrituras, para ver se as coisas são mesmo assim. Muitos destes são crentes zelosos, que “amam” ao Senhor. Digo assim, pois amor a Deus sem obediência a seus mandamentos é mera ilusão.
O ensino que o Espírito nos dá através do texto em análise é claro: submeta sua religião ao crivo das Escrituras. Seja na esfera pessoal, de conduta, seja na esfera coletiva, de culto e serviços, tenha cuidado de rever cada procedimento, cada meta, cada motivação. Tenha cuidado de olhar para o passado, para os “marcos antigos”, postos por nossos pais, pois Deus não aceita adoração do modo que ele não prescreveu. É melhor ter um pouco de trabalho no estudo do caminho, do que tomar o caminho errado, aquele que mais nos agrada, e no fim ter feito tudo em vão.

Texto originalmente publiado no blog Verdade Reformada, disponível em http://thecenturytruth.blogspot.com/2013/05/zelo-religioso-e-verdadeira-piedade.htmlz

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O que é a Marcha para Jesus do Rio de Janeiro

Hoje, 25 de Maio de 2013 realiza-se no Rio de Janeiro mais uma edição anual da Marcha para Jesus, evento gospel organizado pelo Conselho de Ministros do Estado do Rio de Janeiro (COMERJ). Nesta marcha, milhares de evangélicos saem as ruas em passeata de um ponto a outro da cidade, para então receber mensagens de líderes religosos e assistir a performances de cantores gospel.
“Uma passeata, e nada mais”, muitos podem dizer, baseando-se na descrição acima. Embora verdadeira, esta descrição é incompleta. Fazer uma passeata e ouvir algum cantor cantar não é pecado. O problema é que precisamos ir mais fundo e entender o que se faz na marcha, o que a motiva, como ela é e o que se prega, bem como a intenção de muitos ao participar.
Hoje mais cedo postei no Facebook uma frase chamando a marcha de “marcha da apostasia” e dizendo que a mesma nunca foi para Jesus. Pretendo, neste artigo, explicar em mais detalhes o que eu quis dizer, bem como fornecer argumentos para sustentar meu ponto de vista.
A Marcha para Jesus nunca foi para Jesus pois ela é um evento mundano, hipócrita, manipulador das massas e que promove as celebridades gospel ao invés de Cristo. O que se prega lá é o mesmo que se prega nas igrejas que dela participam. Heresias e mais heresias. E o povo que se diz crente aplaude e se alimenta deste lixo teológico, a saber, Confissão Positiva e Teologia da Prosperidade. Muitos tem coração sincero, e realmente esperam algo do evento. Entretanto, por influência das más lideranças da atualidade, a motivação de muitos, bem como suas atitudes no evento, são totalmente contrárias ao Evangelho de Cristo.
Na Marcha para Jesus você encontra idolatria generalizada. A venda de utensílios com nomes de pastores e cantores é impactante. Quando você está naquele meio, você vê o quão pobres são aquelas almas que estão ali, em grande parte, para ver e ouvir seu cantor/pregador favorito. Show mundano. Quando o “cantor do momento” vai se apresentar, a multidão delira inconsequentemente. Qualquer pessoa em sua perfeita sanidade notaria que há não muito tempo atrás a Igreja Evangélica condenaria seus membros que participassem de um show da Ivete, por exemplo, devido à idolatria e estimulo à carnalidade destes eventos. Não condeno concertos musicais decentes. Mas shows mundanos são o que são, mundanos. E hoje? Bom, a Igreja tem os seus próprios. A Marcha para Jesus é só mais um deles.
Incentivada e ensinada por seus líderes, a maioria dos crentes de hoje aprendem a terrível doutrina da Confissão Positiva. É aquela mania moderna do povo evangélico de profetizar isso, determinar aquilo, declarar aquilo outro. Assim, vemos um povo que ainda crê realmente que este evento tenha algum significado espiritual. Dizem todo ano declarar que “o Rio é de Jesus”, que vão estabelecer um trono para ele (isso foi dito na marcha do ano passado) e não percebem que a situação não muda. Nunca. Até parece que esta foi a ordem de Cristo, a saber, que a Igreja saísse por aí em procissões místicas e fantasiosas, repetindo frases de efeito e chamando isso de profecia. Tolice. Enganação. Coisas mais bizarras ainda se vêem. Os mais estranhos tipos de “atos proféticos”, até mesmo colocar pedidos de oração nos sapatos e “marchar” sobre eles para conquistar a vitória. E alguns líderes isto justificam usando o argumento de que a Igreja Católica faz procissão pois entende o significado espiritual de marcar território, indicando que devemos fazer o mesmo. Viramos animais, segundo estes líderes, pois só animais marcam território.
A você que participa deste evento apenas buscando alguma vitória em sua vida. Talvez alguma doença, situação difícil, entenda: misticismo e Cristianismo não se misturam. Este evento é uma mentira e uma afronta  a Cristo. Você não conquista por marchar tantos quilômetros, declarar algo tantas vezes ou profetizar um chavão. Entenda que Deus é soberano sobre tudo e todos. Clame a ele somente em oração e se for da Sua vontade, ele atenderá seu pedido. É de dar lágrimas nos olhos ver o povo evangélico envolvido em superstições e mentiras. E me enche de ira ver os líderes pregando e ensinando esta mentira. Por isso, se você foi a este evento, arrependa-se hoje, busque conhecer o evangelho de fato e de verdade e fuja deste movimento gospel que visa apenas satisfazer a carne e fornecer entretenimento, mas que não atinge o coração, e não cura o pecado.
Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro. E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas.”
Amós 5:21-23
Texto originalmente publicado no blog Verdade Reformada, disponível em http://thecenturytruth.blogspot.com/2013/05/o-que-e-marcha-para-jesus-do-rio-de.html
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A Origem e Propósito do Estado

Governo Civil

Governo Civil


Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

Romanos 11:36

Um versículo por demais comum na mente de todos os cristãos brasileiros é, sem dúvida, Romanos 11:36. Conhecemos, repetimos e nos alegramos em dizer que tudo é dEle e tudo é por Ele, bem como para Ele.

Uma das deficiências do crente moderno é, entretanto, saber manejar as Escrituras de forma a extrair dela virtude e conhecimento. O que temos na boca da maioria dos evangélicos no Brasil são versos soltos, mal entendidos e, quando não, aplicados erradamente. Isto para não dizer aqueles que são conhecidíssimos porém não nos damos o trabalho de extrair as conclusões lógicas do que o autor quiz dizer. Certamente, Romanos 11:36 faz parte deste último grupo.

Paulo em Romanos nos afirma algo fantástico e sobremodo sério, cujo significado, se entendermos corretamente, exige de nós completa mudança de cosmovisão. O apóstolo inspirado afirma que todas as coisas:

  1. Vem de Deus – como Criador de tudo e de todos e Soberano Senhor cujos decretos são altos e sublimes, e governam tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá, bem como tudo o que existiu, existe e existirá, Deus é, assim, a fonte primaz de tudo o que acontece.
  2. Existem por meio de Deus – Ele não só é Criador mas também mantenedor de tudo e de todos. Sem a determinação de Sua vontade, tudo cessaria de existir imediatamente. Deus sustenta a existência de tudo aquilo que Ele mesmo trouxe à existência.
  3. Existem para Deus – Por ser soberano, Deus ordena e chama todas as coisas a render glórias não a si mesmo, mas a Deus. Tudo o que existe deve ser usado para Ele. Todos os seres humanos devem levar suas vidas visando a glória de Deus. Isto inclui a sociedade e suas intituições! Glorificar a Deus com algo, note-se, implica usar-se disso conforme os princípios morais perfeitos expressos em Sua Lei.

Conforme foi exposto, o texto de Romanos exige que todos os seres humanos rendam obediência a Cristo e a Deus em tudo que fazem. Da mesma forma que um homem rebelde contra Deus é aquele que recusa-se a viver de acordo com a Sua Lei, de igual modo precisamos, por honestidade intelectual, aplicar esta verdade aos nossos governos e instituições sociais. Nós todos concordamos que um governo, mesmo que iníquo, deve sua autoridade a Deus. Jesus afirmou a Pilatos que nenhuma autoridade ele teria se do céu não lhe fosse dada. E Paulo com isto concorda quando afirma que a “potestade é ministro de Deus”, e, em nosso texto, evidentemente esta potestade está incluída em “todas as coisas”. Muitos diriam que governos rendendo-se a Cristo é algo impossível por que o “mundo jaz no malígno”. Isto é tão cômico quanto irracional. Eu e você que estamos em Cristo, também, um dia, já estivemos no maligno. Todo ser humano rebelde jaz no maligno e, ainda assim, Deus o convoca a render-se a Ele em obediência e a dar-lhe glória. Por que seria diferente com governos e nações? De fato, não é.

Cristo deve ter domínio sobre todas as coisas. Nós, como dispenseiros dEle, e embaixadores do Reino, devemos trabalhar neste mundo com o fim de subjugar tudo a Seu domínio. A isto referiu-se Judas quando explicou “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre.” (Judas 25). Da mesma forma a Lei e os Profetas nos dizem “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor.” (Salmo 2:10-11)

Devemos entender que da mesma maneira que um ímpio será julgado, historicamente e eternamente por seus atos e rebeliões, assim também uma nação será julgada historicamente e eternamente por seus atos e rebeliões. Não devemos ser apáticos e inativos na sociedade, conformando-se com governos cada vez mais corruptos. Antes, proclamemos contra os pecados individuais do povo, bem como os pecados coletivos, e os clamemos contra os ídolos em cada esfera da sociedade, seja na cultura, seja nas Leis, seja na educação ou nos magistrados. Tudo é de Cristo. Tudo veio dEle. E tudo, portanto, tem obrigação de se render à Sua Lei.

Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.

1 Coríntios 15:25

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